Menu fechado

A arquitetura do Platypus, em dados

Hello, Hello!

A arquitetura do Platypus, em dados

(tempo de leitura do e-mail: 3 a 4 minutos)

Na semana passada, finalizei a série Desvendando o Venture Capital apresentando o Platypus. Hoje quero fazer um mergulho mais profundo na sua estrutura e mostrar por que acreditamos que ele representa uma oportunidade particularmente interessante para investir em Venture Capital nos Estados Unidos.

Ao longo da série, dedicamos bastante tempo a uma das assimetrias mais persistentes da indústria. Falamos sobre o paradoxo 72/16, que mostra que 72% das gestoras responsáveis pelos melhores retornos históricos construíram esses resultados entre seus Fundos I e IV, embora esse grupo receba apenas 16% do capital alocado pelos investidores institucionais.

Esse dado é importante porque ajuda a explicar uma das ineficiências mais duradouras do mercado de Venture Capital e, principalmente, está na origem da forma como estruturamos o nosso primeiro fundo.

Por isso, vale a pena retomar o tema por alguns minutos. Desde que apresentei o Platypus, várias pessoas me perguntaram a mesma coisa. Por que exatamente esses gestores? O que existe por trás da seleção? E por que acreditamos que essa combinação representa uma oportunidade tão diferenciada no mercado americano?

Porque existem oportunidades que os maiores investidores do mundo reconhecem, mas nem sempre conseguem acessá-las de forma eficiente.

Em fevereiro de 2026, o Colibrí Institute publicou o estudo mais abrangente já realizado sobre o tema, analisando 2.471 fundos americanos com vintage entre 2000 e 2024. O período abrange a bolha da internet, a crise financeira de 2008, a expansão do mobile, a era dos unicórnios, a correção pós-2021 e o início do ciclo de inteligência artificial. Tive a oportunidade de acompanhar a apresentação dos resultados em um grupo organizado pelo Kauffman.

Os números reforçam o que observamos ao longo de toda a série. Gestoras entre seus Fundos I e IV continuam apresentando desempenho superior, mesmo recebendo apenas uma pequena fração do capital destinado à classe. O levantamento identificou uma diferença média de 7,2 pontos percentuais de TIR em favor desses gestores. Em uma alocação hipotética de US$ 100 milhões, essa diferença representa aproximadamente US$ 72 milhões adicionais ao longo da vida dos veículos.

Quando observamos os retornos dos fundos que compõem o top decile, a distância permanece igualmente relevante. Veículos abaixo de US$ 250 milhões alcançaram TVPI de 4,03x, enquanto megafundos acima de US$ 750 milhões ficaram em 1,67x. A diferença é superior a duas vezes.

O que chama a atenção vai além dos retornos. É a persistência desse padrão ao longo do tempo. Um endowment de US$ 10 bilhões dificilmente consegue construir exposição relevante em vinte veículos de US$ 100 milhões sem aumentar significativamente seus custos de originação, diligência e governança. Alocar em Sequoia ou na Andreessen Horowitz é uma decisão facilmente defensável perante qualquer comitê de investimento, independentemente do resultado obtido. Já investir em um Fundo I de US$ 120 milhões expõe o alocador a um tipo diferente de risco. Mesmo quando a decisão produz excelentes resultados, raramente há uma recompensa proporcional para quem tomou essa iniciativa.

Existe, portanto, uma diferença importante entre o que maximiza o retorno e o que é operacionalmente viável para os maiores investidores do mundo. Suas organizações foram concebidas para escalar. Nem sempre é possível identificar as ineficiências que ainda existem no mercado.

O desempenho superior desses gestores também se evidencia nos dados e em sua forma distinta de operar. Em média, investem com tickets de cerca de US$ 6 milhões, enquanto os fundos mais estabelecidos investem cerca de US$ 60 milhões por operação.

Constroem portfólios mais concentrados, com aproximadamente 28 empresas, contra 37 dos grandes veículos, o que aumenta a exposição a outliers que normalmente definem os retornos da classe. Também atuam com maior frequência em Seed e Series A, estágios em que grandes plataformas enfrentam limitações naturais de escala.

A vantagem também tem limites bastante claros. O próprio estudo mostra que o desempenho começa a se deteriorar quando esses gestores passam a investir cheques médios acima de US$ 25 milhões. O tamanho do veículo importa. A configuração também.

Talvez por isso exista uma percepção equivocada sobre quem são essas pessoas. Raramente falamos de profissionais inexperientes. Na maior parte dos casos, são investidores que passaram dez, quinze ou vinte anos na indústria antes de construir algo próprio. O partner que decidiu voltar ao early stage após ver sua antiga organização migrar para estágios mais avançados. O fundador que desenvolveu uma compreensão profunda de uma vertical específica. O operador que percebeu uma transformação tecnológica antes de ela se tornar reconhecida.  

Os incentivos também mudam. Em uma organização estabelecida, o carry costuma ser dividido entre dezenas de sócios. Em um Fundo I, o GP fundador responde diretamente por cada decisão tomada e participa de uma parcela muito maior do resultado econômico. O sucesso ou fracasso do veículo passa a estar diretamente ligado à sua reputação profissional pelos próximos dez anos próprio.

E foi para acessar essa assimetria que o Platypus foi construído.

As quatro lentes do Platypus

O Platypus nasceu da busca por gestores capazes de oferecer perspectivas complementares sobre as transformações tecnológicas que redefinem mercados, modelos de negócio e cadeias de valor em todo o mundo. Buscamos formas diferentes de interpretar as mudanças que ocorrem e de identificar onde novas oportunidades começam a surgir.

screenshot_20260601_at_42415pm

 Ao longo dos últimos anos, passamos a dedicar uma parte importante do nosso tempo a identificar profissionais que combinam profundidade técnica, acesso privilegiado a determinados ecossistemas e um histórico consistente de tomada de decisão. Pessoas que passaram décadas desenvolvendo redes, conhecimento e repertório suficientes para enxergar movimentos antes que se tornassem conhecidos. 

 Cada gestor selecionado para o Platypus representa uma leitura distinta sobre a transformação tecnológica que estamos vivenciando. Individualmente, essas perspectivas já seriam valiosas. Juntas, criam uma visão muito mais ampla sobre como a inteligência artificial, a infraestrutura, o software e os novos modelos de negócio estão sendo construídos e distribuídos globalmente.

 A primeira lente está na adoção corporativa de inteligência artificial, com a Mighty Capital. SC Moatti e Jennifer Vancini operam sobre a rede da Products That Count, comunidade que reúne mais de 500 mil Chief Product Officers globalmente. Um em cada três integrantes da Fortune 1000 possui um CPO responsável por decisões relacionadas à adoção de tecnologia, produto e aquisições. Essa proximidade permite validar ou descartar teses muito antes de elas aparecerem nos dados públicos. Foi também o primeiro gestor em que escolhi investir meu próprio capital. 

nido_invista_usa_cabecalho_5

 A segunda lente está em deep tech e infraestrutura avançada. Trata-se de um investidor engenheiro com mais de vinte anos de experiência acompanhando algumas das tecnologias mais sofisticadas em desenvolvimento atualmente. A combinação entre profundidade técnica e proximidade com empresas em estágio avançado oferece uma leitura particularmente interessante sobre maturação tecnológica, valuation e ciclos de adoção. 

 A terceira perspectiva está em consumer AI. O grupo reúne uma gestora reconhecida no mercado americano, um empreendedor serial, profissionais de M&A vindos de duas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos e um cientista de dados que desenvolveu sistemas de inteligência artificial aplicados ao mercado financeiro em uma das instituições mais sofisticadas do mundo. Durante três anos, eles construíram uma plataforma própria que cruza milhares de sinais provenientes de mais de sete milhões de startups, trazendo uma profundidade analítica difícil de ser reproduzida por gestores generalistas. 

 A quarta lente está na camada de inteligência do Vale do Silício. Um gestor com presença recorrente dentro de algumas das comunidades mais relevantes da região, incluindo AGI House, The Resident, F0h e uma extensa rede de operadores construída ao longo de duas décadas acompanhando a evolução do ecossistema. Em ambientes como esses, as conversas costumam acontecer muito antes de qualquer oportunidade chegar ao mercado de forma estruturada. 

 Juntas, essas quatro perspectivas formam uma leitura que nenhuma delas alcança isoladamente. É na interseção entre essas diferentes formas de observar a inovação que encontramos algumas das oportunidades mais interessantes da próxima década

Vamos juntos?

Relacionados