NIDO EM REPORTAGEM DO ESTADÃO BROADCAST
EXCLUSIVO: GESTORA BRASILEIRA CRIA FUNDO PARA INVESTIR EM STARTUPS DE IA NOS EUA Por Aramis Merki II
São Paulo, 29/06/2026 – No momento em que a inteligência artificial (IA) redesenha o mapa da tecnologia global, a oportunidade mais atraente para os investimentos de venture capital nos Estados Unidos não está nos nomes consagrados, e sim onde o capital institucional ainda chega com dificuldade. É essa a leitura da gestora de investimentos Laura Constantini, que atuou por 16 anos na Astella, uma das principais gestoras de venture capital do Brasil. ![]()
“O filé mignon do venture capital nos Estados Unidos está com os gestores emergentes”, afirma Constantini. A executiva usa o termo não para descrever iniciantes, mas para um perfil específico: profissionais com trajetória sólida em grandes casas ou em corporações de tecnologia que decidem montar suas próprias gestoras, com teses próprias e fundos menores. São esses gestores, segundo ela, que concentram os retornos mais expressivos do setor no mercado americano. ![]()
É para capturar esse espaço que Constantini está estruturando no Brasil o Platypus I, seu primeiro fundo independente, voltado a investir em gestoras americanas focadas nos estágios iniciais (early stage, no termo do setor) de startups. Entre as gestoras já mapeadas está a Mighty Capital, fundada por duas executivas com passagem pelo Facebook, com acesso a iniciativas de outros egressos de empresas de tecnologia, que apostam em soluções tecnológicas para grandes corporações. ![]()
A lógica do fundo de Laura parte de uma distorção que a gestora identificou ao examinar as carteiras de family offices e gestoras de patrimônio brasileiras. Investidores locais alocam em venture capital no Brasil pela proximidade com o ambiente, e nos Estados Unidos tendem a entrar em fundos de nomes conhecidos. As rodadas de investimento em startups iniciantes ficam fora da cobertura. ![]()
“As grandes plataformas têm tíquetes elevados para investir, e preferem os nomes com marca”, diz. “Mas quem investe nos estágios iniciais, nos Estados Unidos, são gestores menores. O acesso a eles exige network e conhecimento do ecossistema.” ![]()
Pesquisas da Kauffman Foundation mostram que os chamados gestores emergentes recebem entre 15% e 20% do capital alocado em venture capital nos EUA, mas respondem por 40% a 70% dos retornos. No Platypus, Laura mira gestoras com patrimônio sob gestão entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões e que estão em seu segundo ou terceiro fundo. ![]()
Revolução
O pano de fundo mais amplo do setor de tecnologia reforça a estratégia, avalia a investidora. Para ela, a revolução da inteligência artificial representa uma mudança estrutural na forma como a informação é processada – o que aconteceu pela última vez na criação dos computadores pessoais (PCs). Ela enxerga a possibilidade do surgimento, a partir do ChatGPT e do Claude, de startups que vão modificar setores e indústrias. ![]()
“Assim como a computação em nuvem gerou uma leva enorme de empresas de software como serviço, a gente vai ver em cima do AI uma onda incrível de empresas nativas da IA”, afirma. ![]()
Contato: merki@broadcast.com.br