Menu fechado

Entre previsões extremas, escolho agir pelo melhor agora

Hello, Hello!

Recentemente, refleti sobre como projetamos o futuro e percebi que frequentemente nos deixamos levar por visões extremas: ficamos presos a cenários perfeitos ou somos consumidos por previsões alarmantes e pessimistas.

Filósofos, cientistas da computação e pioneiros da indústria de tecnologia criaram visões sobre trajetória evolutiva da humanidade onde a sociedade precisará atravessar um período turbulento de “distopia de curto prazo” antes de alcançar a visão utópica onde sistemas superinteligentes resolvem os maiores desafios da humanidade – desde mudanças climáticas até doenças – enquanto criam uma abundância sem precedentes.  

Esses cenários distópicos, caracterizados por extrema desigualdade, concentração econômica, precarização do trabalho e exclusão digital, são descritos como fases transitórias para que os sistemas humanos se adaptem às realidades impostas pela automação avançada e, se bem administradas, podem ser superadas e nos levar ao cenário utópico.

Ao pensar em tudo isso, sinto que essas descrições acabam dificultando nosso entendimento do presente e muitas vezes, desestimulando ações mais práticas. Esses cenários distópicos, ao meu ver, já são (ou melhor, ainda são) realidades presentes principalmente em países em desenvolvimento e no Brasil.

Apesar de avanços notáveis, como a saída de mais de 50 milhões de brasileiros da pobreza extrema entre 1990 e 2022 (dados do Banco Mundial), ainda enfrentamos imensos obstáculos relacionados à desigualdade social, à exclusão digital e ao acesso limitado a serviços essenciais.

Esses temas ficaram muito claros durante minha recente experiência em Stanford, onde acompanhei palestras sobre os impactos da Inteligência Artificial. O que muitos especialistas descrevem como novos riscos que a tecnologia poderia trazer, refletem situações que já convivemos há bastante tempo.  

É exatamente nesse contexto que acredito no empreendedorismo como ferramenta poderosa não apenas para esperar um futuro diferente, mas para construir desde já uma realidade melhor. Essa visão integra meu propósito pessoal e orienta minhas teses de investimento.

Destaco aqui algumas startups brasileiras que já apresentam resultados expressivos e que não só acompanho há bastante tempo, como tenho participação ativa no dia a dia das mesmas seja por que investi durante minha jornada Astella – e continuo no board de todas –, seja por que investi como anjo depois:

  • Conectividade e Autonomia Econômica:
    A TáOn possibilita acesso flexível e econômico à internet para pessoas de baixa renda. A democratização ao acesso a telefonia móvel é capaz de ampliar oportunidades de geração de renda e ascenção sociais de 120 milhões de brasileiros que não tem como garantir acesso incessante a internet e acabam “desconectados” por pelo menos 1 semana a cada mês.
  • Fortalecimento das Pequenas Empresas:
    Estoca, Cayena, Destaxa e Gal oferecem soluções tecnológicas que democratizam acesso a ferramentas e alternativas mais eficientes de negócios, antes restritas às grandes corporações, promovendo diversidade econômica, e inclusão e reduzindo risco das pequenas e médias empresas.
  • Saúde Acessível:
    A Trevo conecta brasileiros sem planos privados a laboratórios particulares com preços acessíveis, complementando o SUS e facilitando o acesso a diagnósticos.
  • Novos Modelos Econômicos e Sustentabilidade:
    A Traive tem o potencial de transformar o setor agrícola democratizando crédito para produtores rurais, reduzindo ineficiências e riscos. A Doji criou uma plataforma para trade-in de eletrônicos onde usuários podem negociar o valor de seus aparelhos antigos como parte de pagamento de novos produtos. Com isso, a Doji promove economia circular, reduzindo desperdícios e agregando formas de incentivos econômicos.
  • Democratização da Educação:
    A Letrus melhora significativamente o desempenho de alunos da rede pública ao capacitar professores com Inteligência Artificial, criando impacto direto na qualidade educacional e na redução da desigualdade. Infelizmente, esta é a única empresa que não investi, sendo exceção desta lista, mas tenho bastante admiração pelo o que construíram e ainda estão realizando.

Como bem afirmou a cientista Jane Goodall:

“O que você faz causa um impacto, e cabe a você decidir que tipo de impacto deseja causar.”

As tecnologias e iniciativas empreendedoras são os instrumentos reais para transformar o cenário atual e construir um horizonte muito mais distante das previsões fatalistas, aproximando-nos de uma realidade realmente viável e equitativa para todos.

Vamos juntos?

Relacionados