Hello, Hello!
Hoje vim falar novamente sobre um tema que eu gosto muito e que me intriga: o uso de tecnologia na educação. Uma análise feita pela OCDE (Organisation for Economic Co-operation and Development) desvendou que a maioria das tecnologias educacionais (EdTech) não entregou os benefícios acadêmicos prometidos inicialmente. Na realidade, as pontuações em testes de matemática, ciências e leitura têm despencado ao longo do tempo, como pode ser visto na figura abaixo. Essas tendências foram agravadas pela pandemia de COVID-19, mas, na verdade, começaram no início dos anos 2010, justamente quando dispositivos digitais estavam sendo colocados à disposição dos alunos nas salas de aula.

Pisa - score global 2023

Esse e outros estudos que mostram estatísticas parecidas têm provocado educadores a repensar o uso da tecnologia na educação. Nesta Nido de hoje, trago uma experiência muito bacana que vivi algumas semanas atrás em um evento em Stanford. Nele, pesquisadores da universidade ligados às escolas de educação e neurociência apresentaram resultados de pesquisas feitas para medir a eficácia de ferramentas digitais em avaliar as habilidades de alfabetização e fluidez em matemática. Também fizemos, neste mesmo evento, uma visita a uma escola em Palo Alto que tem uma parceria com o Laboratório de Neurociência de Stanford.
Acompanhar a confluência de tech e educação me encanta demais. O desenvolvimento econômico e social tem sempre três pilares: tecnologia, educação e infra-estrutura. Ver os desafios e a evolução das soluções para os dois primeiros tripés e seus respectivos impactos para o Brasil é algo extremamente relevante e complexo. Razão que me faz colaborar com a escola de educação de Stanford.
E, aliás, quem me levou para lá foi o Guilherme Lichand, que conheço desde 2014. O Guilherme é professor na Escola de Educação de Stanford (GSE) e lidera várias iniciativas ligadas ao tema. Gosto muito de discutir com ele os problemas concretos de como melhorar a educação através de adoção de tecnologia. E, nesta viagem, não foi diferente. Destaco três momentos bastante especiais:
O desenvolvimento econômico e social tem sempre três pilares: tecnologia, educação e infra-estrutura

1 - Revisão dos resultados da adaptação do ROAR (Stanford Rapid Online Assessment of Reading) - instrumento de avaliação de leitura criado por pesquisadores de Stanford)
A fluência na leitura é fundamental para o sucesso acadêmico e o aprendizado ao longo da vida. Avaliações rápidas e confiáveis são cruciais para identificar necessidades específicas e direcionar intervenções durante a infância e a adolescência, períodos de maior plasticidade cerebral. No entanto, em países de baixa e média renda, como o Brasil, essas avaliações ainda são raras devido à complexidade e custo dos métodos convencionais, que demandam muito tempo e não oferecem feedback detalhado ou orientações práticas para apoiar alunos de forma individualizada.
O ROAR (Rapid Online Assessment of Reading) é uma solução inovadora que está sendo adaptada para o Brasil. Essa avaliação silenciosa permite que alunos realizem o teste simultaneamente, com mínima interrupção na sala de aula, e fornece resultados instantâneos. Além de detectar habilidades subjacentes de leitura com precisão, o ROAR automatiza relatórios para diretores e professores, identificando lacunas específicas, sugerindo atividades direcionadas e permitindo intervenções mais eficazes, mesmo em ambientes de baixa renda.
Com o ROAR, será possível abordar problemas críticos como os baixos índices de proficiência no Brasil, onde apenas 56% dos alunos da segunda série atingem o nível esperado de leitura. Dados da avaliação nacional de 2022 mostram que quase metade dos alunos da quinta série são classificados como subproficientes, com resultados significativamente inferiores à média global e a países como Chile e Uruguai. Essa ferramenta tem o potencial de informar políticas públicas e capacitar educadores com informações detalhadas para transformar o aprendizado da leitura no país.
Com o ROAR, será possível abordar problemas críticos como os baixos índices de proficiência no Brasil

2 - Visita a Secretaria de Educação de São Francisco onde aprendemos sobre pesquisa feita para medir performance das escolas com a inclusão de métricas de aprendizagem sócio-emocionais e cultura das escolas
A plataforma da Secretaria de Educação consolida frequência, desempenho, dados comportamentais e resultados de pesquisas feitas com alunos e professores. Com estes resultados, o distrito pode adotar diversas iniciativas para trabalhar o senso de pertencimento dos alunos e, desta forma, melhorar a frequência e fortalecer as equipes de cuidados coordenados.
Uma iniciativa extremamente interessante é o programa “Each and Every by Name”. A pesquisa revelou que os alunos com dificuldades no jardim de infância raramente atingiam a proficiência até a terceira série. Pensando nisso, a secretaria identificou mais de 200 alunos em situação vulnerável e ofereceu suporte personalizado, incluindo envolvimento precoce com as famílias, preparo dos professores para atender às necessidades específicas, acompanhamento regular da performance, entre outros. Resultado: 52% desses alunos atingiram ou excederam os níveis de proficiência esperados.
A Synapse School utiliza descobertas científicas para melhorar a experiência de aprendizagem de alunos e educadores

3- Parceria da Synapse School com o Laboratório de Neurociência e Práticas Educacionais Inovadoras de Stanford
A Synapse School, localizada em Palo Alto, tem uma parceria inovadora com o laboratório de neurociência da Universidade de Stanford, que integra pesquisa científica ao ambiente educacional. Combinando projetos interdisciplinares e aprendizagem socioemocional (SEL), a escola utiliza descobertas científicas para melhorar a experiência de aprendizagem de alunos e educadores. Atividades como identificar emoções e desenvolver habilidades interpessoais são incorporadas às aulas, promovendo regulação emocional e resolução de conflitos.
Por meio do Brainwave Learning Center (BLC), a Synapse aplica pesquisas em neurociência em práticas cotidianas, explorando áreas como atenção e função executiva. Alunos usam dispositivos de EEG (eletroencefalograma) para compreender melhor seu próprio aprendizado, enquanto professores adaptam suas aulas às necessidades individuais dos alunos com base em descobertas científicas. Essa abordagem combina ensino investigativo com o desenvolvimento de habilidades críticas e competências amplas.
Embora o uso de tecnologia em sala de aula tenha seus desafios, como o multitasking, exemplos como os da Synapse mostram que, quando aplicada de forma correta, a tecnologia pode liberar tempo, gerar dados e insights e permitir que educadores se concentrem no que só humanos podem oferecer: apoio emocional, senso de pertencimento e desenvolvimento socioemocional. Ao promover curiosidade, pensamento crítico e colaboração, a Synapse está redefinindo como preparar alunos para o futuro.
Muito podemos fazer para educação e, consequentemente, para a melhoria do Brasil e Mundo. Caso queira conversar sobre empresas que estão desenvolvendo soluções eficientes nesta área, fale comigo! Terei um grande prazer em apresentá-las.